quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Nota de falecimento: o amigo sincero descansará em paz...

Hoje mato, assassino, uma parte de mim que foi muito ativa em minha vida adulta. Mas não se sustenta mais...

Trata-se da persona que eu imaginava ser o conceito preciso de "amigo verdadeiro": alguém que te fala aquilo que você sabe que é preciso ouvir, mas ninguém diz. Alguém que não apenas consola, mas estende a mão por caminhos de descobrimento e evolução. Alguém que não apenas chora junto, mas ajuda a PARAR de fazer o que te faz chorar.

A verdade, porém, é que ninguém quer saber meeeesmo por que razão chora. O povo só quer chorar e ser reconhecido no choro, só quer que sejamos os "amigos" que culpam o resto do mundo pelo nosso choro, mas não os "amigos" que mostram a realidade quando o choro é culpa nossa!

Identificar o ato ou fato que vem de você mesmo, e te provoca o choro, jamais: querem amigos que culpem sempre os outros (fazendo coro com você, que chora, e talvez até por isso não vê a realidade nua e crua), nunca amigos que permitam que você, no fundo, descubra ter agido errado.

A amizade é, pelo jeito, algo que as pessoas mais almejam do que aceitam. Almejam porque desejam que seja perfeita, bonitinha, sem stress, mas no cotidiano não é bem assim. Não se aceita, em geral, que amigo mesmo é aquele que não fica passando a mão na sua cabeça quando você faz uma cagada, é aquele que te ajuda a ver como foi que essa cagada aconteceu, te apoia para corrigi-la e, se cabível, te ajuda a ver como não fazê-la novamente. Esse era meu conceito, pelo menos. Nunca aceitei (até agora) que, na realidade, "amigo" mesmo pra esse mundaréu de gente por aí na nossa sociedade é aquilo que eles "querem" e não aquilo que "podemos ser".

"querem" mesmo, no fundo, todas as pessoas que conheço, que a gente só apoie sem mostrar o que está errado. Que a gente só sorria mesmo que o comportamento seja destrutivo. Que a gente só ouça e não apresente contra-argumentos.

Que a gente seja um espelho deles próprios, no fundo!

Pois cansei.

Cansei de ser o malvadão porque falo, sem medo, umas verdades que nem são grosseiras e muito menos deselegantes. Mas são verdades. E verdades, pra quem vive na mentira, é algo doloroso.

A vadia que trai o namorado/marido/noivo, por exemplo, e vem me confidenciar isso, quer mais é que eu diga:

- "tadinha, olha só, foi OBRIGADA a foder com a vida do cara... não é culpa sua, querida, é culpa, sei lá, da Dilma! Ou então é culpa dele porque, mesmo que ele não faça nada, HOMEM É TUDO IGUAL, né? Pode trair, amiga, pode mesmo porque ele merece!!".

A vadia não quer que o suposto amigo ouvinte diga, com todo o respeito, sem nenhuma palavra mal-educada:

- "olha, não pode fazer isso, não procure justificativas, que tal pensar se cabe pedir desculpas a ele?"

A vadia hipotética desse exemplo acima, me perdoem as santas, é quase todo o mundo hoje em dia - seja mulher, seja homem!

A vadia hipotética quer é continuar sendo vadia, talvez porque nunca ninguém a ajudou - com honestidade a franqueza - a observar que não precisa ser vadia, e que o "amigo" lhe dê o maior apoio.

Exemplo exagerado?

Honestamente, eu tenho certeza que não.

Cabe o mesmo pensamento para a amiga que não é nenhum um pouco vadia ou promíscua, mas, exatamente da mesma forma, opina sobre algo que não entende nada, como política, e quer que os "amigos" a apoiem - ela jamais quer que o "amigo" mostre a ela que seu pensamento está equivocado ou simplesmente sem embasamento que não seja meramente subjetivo, pessoal ou de simples repetição de terceiros.

Em suma, ninguém quer diálogo, ninguém quer síntese, ninguém quer superação dialética. Todo mundo quer é palmas, reconhecimento e efusiva concordância asséptica em tudo o que se faz ou diz - mesmo que seja uma imensa e ignorante besteira.

A função realmente desejada do "amigo", entre nós, é a de papagaio de pirata!

Não vou citar nomes, mas a verdade é que a ampla maioria das pessoas que andam pela nossa vida parece ser mesmo (inclusive eu mesmo) ignorante em maior ou menor proporção, egoísta, tendente à promiscuidade, à vingança, ao desequilíbrio e a tudo o mais que pode nos levar (a todos) a, justamente, cometer pecadinhos ou pecadões aqui e ali.

Como faço questão de frisar, também sou assim, não nego. Somos fruto de um ambiente e de um convívio social, afinal.

Ocorre que, quando eu cometi ações que me desviaram do meu melhor "self", desejei ouvir as verdades que cabiam e ser SIM objeto de bronca, do famosos "abrir os olhos" que, cá entre nós, somente os grandes amigos podem dar. Nós, muitas vezes, não conseguimos ver sozinhos.

Mas a maioria do pessoal por aí... não quer saber de ouvir isso. Quer é convalidação, quer é aceitação e abraço - mesmo nas piores medidas, mesmo nos piores comportamentos.

Eu não compartilhava dessa concepção. E acabei sendo conhecido entre os amigos, especialmente as amigas, como "o cara que te fala as coisas... e te faz chorar".

Pois, como eu disse, agora chega... estou farto de ser conhecido assim.

De agora em diante, não importa o tamanho da confiança que você tem em mim ou vice-versa. Eu quero mais é que você se arrume sozinha (o), não vou dizer nada sobre o que penso dos seus atos. Se precisar de mim, apenas aceite o que ofereço de agora em diante é um João Bobão, uma dama de companhia, um cachorro ou gato, talvez...

Serei, com a morte do amigo que eu achava que era, o amigo que você quer que eu seja, que tal?

Você que me lê, por favor, desculpe o mal-jeito. Não sou seco assim na maioria dos textos que escrevo... mas hoje tá dificil...

Cansei de menininha mimada, que posa de super certinha, cair na vida da putaria 2 dias depois de ter terminado o namoro, tocar o horror e depois, quando digo "olha, cuidado, vai de leve, não se queime, não se transforme numa mulher que vc não quer ser", chora ou fecha a cara pra mim.

As vezes vai chorar longe de mim, mas nunca sozinha: chora no banheiro, pra alguma outra amiga ver e também me chamar de "grosso" depois. Ou chora pro próprio cara que ela chutou, o próprio cara que ela esperou dois dias pra ir meter chifre, e depois o babaca sou eu.

Então acabou, morreu, pereceu o cara que tinha opinião sobre as vidas de vocês, o cara que (achava que) te ajudava a levantar a cabeça sem fazer mais besteira.

De agora em diante, só existirá o "amigo" bobão, desses comuns mesmo que você encontra às pencas por aí: o amigo superficial sorridente que só diz "sim".

Beleza?

1 intervenções dialéticas:

  1. Juliana (Pexão) AbalémAug 17, 2011 03:00 PM

    Ele pode morrer só em terras paranaenses? Aqui, no resto país, MG, SP ou MA, continuo querendo o amigo que vc me ensinou a ter. Aquele que se doou pra me guiar no meu processo de auto redescoberta, mesmo sem me ver e sem ter o convívio ha anos. Se ele morrer eu vou ter que chamar numa tábua OUIJA e eu morro de medo desses "trem". Como vai ser? Cabe recurso?

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