sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Como conciliar a expressão individual da personalidade com a paz (na rede) social?

Eu estou confuso, confuso demais!

Talvez seja o pior momento pessoal em uns 7 ou 8 anos, no aspecto de sentir-me adequado, integrado e em sintonia com o mundo à minha volta.
A culpa poderia ser do facebook, mas não é... é óbvio que a culpa é minha!

O facebook talvez seja somente o veículo pelo qual viaja esse meu sentimento de confusão e falta de sintonia, mas o fato é que ele chegou e se instaurou.

Eu não tenho sido hábil em conciliar a minha necessidade de expressão individual, de ter opinião e manifestar-me com sinceridade, com o que me parece que o convívio social exige nesse novo nível criado pela facilidade e pelo tempo-real da internet.

Continuo, como há muito, me expressando sem usar palavras desrespeitosas, grosserias, sem trollagem, em termos mais modernos. Nenhuma mulher ouve de mim nem mesmo um "sua babaca", nenhum homem ouve de mim nem mesmo um "idiota". Não há palavra alguma de desrespeito saindo de minhas teclas, não há nenhuma ofensa vinda de mim!

Na rede social, contudo, isso não basta.

As pessoas se dóem com expressões de individualidade alheias. As pessoas se dóem, pelo jeito, cada vez que veem que alguém não pensa como ela naquele assunto que ela foi levada a pensar que era exatamente como ela acredita por 20, 25, 30, 35 anos... As pessoas, no fundo, se dóem quando a gente não concorda com aquilo que lhes parece tão óbvio.

Creio que também eu me envolvo em dor com a expressão individual alheia. Não serei tolo de negar isso. Tento, pelo menos, compreender de onde vem essa opinião tão diferente, tento do fundo do meu coração ser o no one's rival que, mesmo não concordando, tolera e aceita, mantém o convívio mesmo assim.

Mas se antes as expressões de individualidade ficavam restritas aos diálogos diretos, aos e-mails, aos escritos que raramente se publicavam, ou aos encontros em carne e osso, hoje esses limites entre a realidade e o online coletivizado não existem.

E eu não me achei, não me localizei, nesse mundo novo.

Assunto polêmico ninguém quer debater, todo mundo quer estar certo.
Infelizmente, não tenho muitas condições técnicas de me desenvolver em assuntos considerados "não-polêmicos" (como a validade literário-artística e a amplitude dos valores sociais e humanos da novela das oito, por exemplo) e, por isso, acaba coincidindo que quase tudo que tenho para expressar invade o campo pessoal e individual de opinião ou de crença de alguém.

Até aí tudo bem.
Ocorre que eu, por me doer as vezes, mas levar em frente e seguir andando, mesmo com as pessoas que divergem, tendo a esperar o mesmo em troca.
Aí é que percebo que isso não acontece.

Tem gente que cai fora, mesmo. Ou que briga... ou que deleta o "amigo" aqui porque... bem, simples, porque não gosta do que eu digo. Mesmo que eu não tenha chamado a pessoa de nada, mesmo que eu não tenha sido nem um pouco agressivo. A pessoa se decide por não mais ter contato porque eu não sou o que ela espera nos assuntos que pra ela são caros, simples assim.

Muitos se ofendem com a divergência, atualmente.
E, como sou um poço de divergência, não porque quero, mas porque acabei de me perceber assim, acaba que ofendo todo mundo pelo simples respirar... ou ao menos essa é a minha impressão agora.

Passei toda a minha vida me ofendendo com as ofensas de que fui objeto, mas não me ofendia e não me ofendo com a ideia contrária, apenas.
Não com a oposição, mas com a IMposição, quando ela acontecia.

Já hoje, não. Hoje quem diz um "a" fora do padrão determinado pela maioria (que não sei como será amanhã, mas hoje é "bichinhos são nossos amigos, quem briga com eles é feio" ou "o Senhor é meu Pastor e nada me faltará" ou "sociedade machista desgraçada, a culpa do preço do aipim abusivo é sempre sua!"). Aí quando o besta aqui tenta apenas levantar a bola para a outra quadra, tentando dialeticamente trazer ao debate que não é "necessariamente" assim a verdade absoluta da pessoa, o mesmo besta aqui é que passa por intransigente, intolerante... mal amigo...

Eu me penitencio por isso, não tenha dúvida.
Gosto de ter opinião, gosto de expressá-la... então como fazer, como achar um jeito nesse mundo que mudou, eu percebi, achei que ia acompanhar... mas vejo que tá me deixando pra trás.
Me deixando pra trás... e confuso demais!

Como, amigos, COMO posso conciliar o que eu sou e o que posso ser, com o que o mundo novo da rede social espera de mim, com suas limitadíssimas linhas pre-arranjadas pelo senso comum?

Ou de hoje em diante, quem não tá com Deus, com os bichinhos, com a novela, com o girl-power, com a raiva de todos os políticos, não tem espaço e pronto?

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